O Diário

Tudo começou com a igreja e o Rei Leão. Quando eu era criança em um natal eu pedi à minha avó paterna um vídeo cassete, minhas irmãs pediram bonecas, patins, etc... eu não. Eu queria assistir desenhos. Depois que ganhei eu perturbei minha mãe para fazer a tal da carteirinha da locadora. Esse era um bom negócio nos anos 90. 

Como eu não tinha muito como alugar filmes todos os dias, eu tentava pegar emprestado com quem tinha as fitas. Certa vez minha prima emprestou-me "O Rei Leão" e eu assistia aquela fita, todos os dias. TODOS os dias. Eu dublava as falas e o mais importante as canções. Eu assistia até 3 vezes no dia ou mais. Em todas as músicas eu tentava copiar os personagens. As vozes, os timbres, os drives, tudo! 

Grupo Novo Israel

Quando tinha um pouco mais do que dez anos de idade minha mãe me colocou em um grupo de crianças na Igreja Metodista do Pilar. O nome do grupo era "Novo Israel" e eu e mais algumas crianças cantávamos músicas nos cultos. Com o tempo a coreografia foi entrando nos grupos e esse grupo acabou mais focado em coreografar do que cantar de fato. Isso era chato pra mim eu queria mesmo era cantar. 

Ministério de Louvor

Certa vez, na cozinha da minha avó, perguntei minha tia se eu poderia entrar no ministério de louvor da igreja metodista. Meu tio era Líder do louvor (ministério de música) da igreja. E lembro dela dizer-me que eu ainda não tinha idade para aquilo. Fiquei triste, mas o ministério de louvor era todo repleto de jovens e eu não podia fazer nada.  

Passado um tempo o ministério de louvor abriu vagas para novas pessoas, e dessa vez os juvenis (adolescentes) poderiam participar também, como eu já estava perto dos meus 14 anos eu me inscrevi. 

O que eu não sabia era o processo para se chegar no microfone. Eu olhava aquelas pessoas cantando no domingo as músicas legais, que faziam as pessoas chorarem, que ficavam na minha cabeça mesmo quando eu voltava pra casa e não sabia o quanto que eu teria que ralar pra chegar ali. 

Durante alguns meses eu fui "O menino do Projetor". Quem era responsável por organizar a pasta de louvores, separar eles e colocar no projetor para que a congregação pudesse cantar os louvores junto com o ministério. Essa tarefa era um tanto chata, mas quando a gente é adolescente tudo é festa. Eu tentava dar o meu melhor. 

Eu tinha que estar em todos os eventos, cultos, ensaiar, mas não podia fazer o que eu queria mais, que era cantar. Até que um dia, em um "Louvorzão" na igreja metodista em Lote XV o grupo de louvor iria cantar, e quando eles foram subir no caminhão de som, meu tio me chamou para subir. Me deram um microfone. Não sabia segurar aquilo direito. Segurei igual ao Eminem, parecia um Rapper. Ficaram me zuando por isso depois. E assim que eu comecei no ministério de louvor da igreja metodista em Pilar. 

Eu fiquei nesse ministério dos meus 14 anos aos meus 22 anos. Nesse meio tempo aprendi o que eu pude, ensinei o que aprendi, e tentei aprender o máximo que me era apresentado. Nesse ministério às vezes eu fazia solos, ministrávamos o louvor terça, quarta feira no culto nos lares, quinta feira nos cultos de libertação, Sábados em eventos ao ar livre e convites, domingos pela manhã e pela noite. 

Uma das coisas que mais me incomodava era a "ministração". Eu era muito preocupado com a minha voz, em técnicas e nunca fui uma pessoa muito fervorosa ou expressiva. Minha linha é um pouco diferente. Eu não sou um furacão ministrando e nem nunca fui. Para ser sincero eu não acho interessante que no serviço do culto, se dê tanta ênfase a ministrações. Porque eu creio que tira o foco do momento da palavra, mas isso é outra história.

Foi um tempo bom com esse povo do ministério de louvor da Igreja Metodista em Pilar. Grande abraço, caso algum de vocês que participaram leia isto aqui.

Banda Clamor

Certo dia em um "Culto dos talentos" na casa da conselheira de adolescentes eu conheci um menino chamado Douglas Ferreira. Meu amigo tinha me chamado para que nós pudéssemos cantar "Doce Presença" em uma apresentação nesse culto à tarde e nós ensaios nós ficamos amigos, eu Douglas, Érika, Thiago e nesses dia, Douglas me chamou para conhecer a Banda Clamor que era uma banda que ele fazia parte.  

Coral Labaredas

Eu já conhecia algumas pessoas desse coral quando eu quis entrar para o grupo. Lembro que tinha ouvido sobre o grupo. Lembro que certa vez eles foram cantar na Igreja Metodista Wesleyana e eu passei na frente e os ouvi ensaiando e pensei... Deus eu quero fazer parte dessa galera! 

Depois de um tempo e de alguns amigos em comum eu fui a um ensaio deles e eles me pediram para que eu cantasse alguma coisa. Fiquei nervoso cantei do meu jeito e eles me deixaram participar. 

Lembro-me que nós ensaiávamos muito. Pelo menos uma vez na semana, às vezes tinham mais ensaios. Ensaiei por uns três meses sem que eles se apresentassem em qualquer lugar. Até que receberam um convite. Foi a única vez que eu cantei em uma apresentação com este coral. No dia, haviam poucos microfones, dividiram mal e me colocaram junto a um amigo que adorava melismar e fazer chamadas no meio da música. Ele me colocou de lado, pegou o microfone só para ele e eu aproveitei pra dublar, porque não tinha lógica ficar gritando ali. Essa foi a única apresentação que eu participei desse grupo. 

Casa do Barulho

Depois de algum tempo eu não tinha muita atividade musical além do Min. de Louvor e queria algo diferente. Um amigo que fazia rap evangélico me apresentou a outros dois rappers que estavam montando um grupo e tinham um pessoal do instrumental com eles que fazia um som maneiro. Então pensei! Hip Hop? Evangélico? Show. Vou cair dentro! 

Nós ficamos com o grupo por quase ou um pouco mais de um ano. Foi um momento divertido, eu me divertia lá. Nós cantávamos em eventos grandes no bairro. Cantamos para 700, 1.000, 5.000 e mais em eventos como UNIIDE e outros. 

Lembro que em um evento em uma casa fechada, o nome da casa era "Arena", nós subimos no palco e estávamos nos posicionando e o pessoal começou a gritar "Casa do Barulho"... É uma emoção que não dá pra explicar, no mesmo instante o baixista chamou a atenção de um dos rappers, apontou para o braço, mostrou os pelos arrepiados e disse: "Mano! Olha só". No meio da apresentação, fizeram uma roda de B-Boys e o momento foi muito legal! 

A banda não tinha muito foco, o vocalista principal era ausente eu não cantava como ele. Minhas referências na adolescência não eram muito normais. Ouvia muito Joss Stone e cantoras de black e pop. Não tinha muitas referências masculinas e não tinha técnica e nem postura adequada pra poder ficar no lugar dele. Me senti aquém várias vezes, e me senti envergonhado em várias apresentações por não conseguir fazer as coisas que ele fazia. 

Depois de um tempo a banda acabou, foi acabando naturalmente. Menos ensaios, menos interação entre os integrantes, etc... 

Chegamos a entrar em estúdio e gravamos algumas coisas. 

Comunidade Shekinah no Parque Amorim 

Em uma desses convites que o Min. de louvor atendia, eu conheci Lidiane Mesquita que até hoje é uma grande amiga pra mim. O seu irmão tinha aberto uma igreja e ela me convidou para que eu pudesse ajudar ela no ministério de louvor de lá. Não tinham homens no louvor. Como fazia tempo que eu não tinha alguma experiência musical interessante eu aceitei o desafio. 

Eu participava dos cultos de domingo, menos o primeiro domingo. Meu pastor disse a mim: "Ok, meu filho eu te libero, contanto que você tome ceia aqui e entregue o seu dízimo aqui também".

Ministério Soulluz

Depois de estar um tempo "parado" (Não fazia parte de nenhum movimento musical) eu já estava entediado e até triste por não fazer o que eu mais gostava. Até que eu passei de ônibus algumas vezes na frente de uma igreja evangélica e ouvi um pessoal ensaiando o que parecia música de coro black. No mesmo instante aquilo me interessou. 

Vi algumas pessoas que eu conhecia lá dentro e outras que eu não tinha contato. De sorte comecei a pegar ônibus e trem com um dos integrantes do coral e pedi uma oportunidade de ir ao ensaio e participar. 

Ele me negou afirmando que já haviam tenores demais. Eu cheguei a falar com ele mais duas vezes em alguns meses que topava com ele nas conduções em direção ao trabalho ou voltando do centro do Rio de Janeiro.

Até que alguns tenores saíram e ele me chamou para assistir ao ensaio e eu fui. Entrei para o grupo e ficamos um tempo só ensaiando. 

Até que um dia surgiu um convite para cantarmos em uma agenda na Terceira Igreja Batista em Pilar e nós fomos.

Coral Geração Eleita 













Depois que saí do Ministério Soulluz me senti mal e atrasado e sentia que estava regredindo vocalmente daí procurei um amigo e pedi que ele me desse aulas de canto. Ele não tinha muito tempo, para falar a verdade só tinha tempo aos domingos de tarde. 

Ele começou a me dar aulas na Igreja Assembleia de Deus Shalon Adonai, que era a igreja onde ele congregava.Tive algumas aulas com ele, creio que umas quatro ou cinco, em dois meses. Nesses dois meses, como a aula acabava quase na hora do culto eu aproveitava para ficar para o culto. 

Essa igreja, naquele momento tinha um serviço de culto que eu gostava muito. Uma liturgia básica, mas as coisas iam acontecendo sem aquela ordem assassina, tudo era muito expressivo e espontâneo. O que me admirava é que quase todo mundo, inclusive os membros que assistiam e não se apresentavam, eles também estavam inteirados nos momentos de louvor em música. Na verdade o culto parecia um culto de louvor. A música era muito presente e sempre tinha algum convidado especial ou para cantar ou para pregar. 

Eu já tinha assistido o Coral Geração Eleita se apresentar algumas vezes e aquilo me encantava porque me lembravam os corais norte americanos que eu tanto assistia em vídeos no youtube e filmes. 

Até que em alguns cultos, quando voltávamos muitas vezes a pé da igreja, que ficava no bairro dos 300 em São João de Meriti até A rodoviária que fica na frente do Restaurante Caxias Grill, eu perturbava ao Rafael e ao Johny, pedindo para participar do coral. A resposta era sempre a mesma. "Já tem tenor demais". 

Realmente tinham, cerca de oito tenores, três ou quatro contraltos, e sopranos três. 


Aprendi muita coisa no tempo que passei com eles.  

Kaynara Regina, Cintia Oliver e eu em uma apresentação de encontro de corais.